criadores da minha estrita confiança, que compartilham das mesmas filosofias de criação.
O senhor continuou obstinado em seu propósito de acasalar sua cadela com um dos meus cães e me disse que:

– possuia uma linda cadela, filha de pais campeões, proveniente do canil XXXX;
– eu deveria ser mais flexível, pois desta maneira ele teria que viajar para outro estado para conseguir acasalá-la;
– que se ela fosse acasalada com os cães desta cidade, EU estaria contribuindo para a degeneração da raça;
– que meus cães são muito bonitos para serem “pouco aproveitados”;
– que eu sou uma criadora séria e por isso ele estava entrando em contato comigo. (!)

 (…) Este senhor não estava interessado em entender porque não permito o acasalamento dos meus cães para terceiros, apenas queria acasalar sua cadela para presentear sua família com filhotes – segundo ele mesmo relatou – e pronto!
Muitas pessoas não entendem as razões que movem a rejeição de muitos criadores, e a minha, por proprietários de cães reproduzindo-os domesticamente. Já escutei o termo reserva de mercado com relação à essa atitude.
Pode-se argumentar que grande parte dos criadores deram início ao seu hobby acasalando o seu cãozinho de estimação, mas isso não quer dizer que este seja o caminho certo a seguir.
A motivação contra a reprodução doméstica de cães invoca à proteção do indivíduo, à proteção da raça e à responsabilidade social. Quem adquire um adorável cãozinho muitas vezes não tem idéia que planejar um acasalamento envolve:
  • Tempo necessário para fazer os exames diagnósticos dos cães antes que ingressem na vida reprodutiva (mesmo lindos, será que vale a pena reproduzí-los?);
  • Conhecimento dos ancestrais das linhas de sangue que serão acasaladas, porque:
          – queremos cães saudáveis, portanto conhecer quais são as questões de saúde que costumam incorrer com mais frequência naqueles animais é essencial;
         – queremos cães bonitos, portanto conhecer as característivas mais marcantes (boas e ruins), que devem ser equilibradas, é muito importante;
  • Conhecimento do padrão da raça, afinal, tipicidade física e comportamental é fundamental;
  • Bom senso para não acasalar um cão quando não vale a pena.

Quando se é cuidadoso nos acasalamentos, as chances dos cães nascerem com problemas  de saúde crônicos e/ou fatais é menor.  Cardiopatias, discrasias sanguíneas, questões alérgicas, endocrinopatias , entre outras, podem ser controladas em um programa reprodutivo criterioso.
Então, por que permitir o nascimento de cães “não-controlados”?
Isso é o que eu chamo de proteger o indivíduo. Pessoas que reproduzem seus cães domesticamente perpetuam o mal exemplo a quem adquire seus filhotes.  Os novos proprietários poderão reproduzir estes novos cãeszinhos, que, por conseguinte, reproduzirão seu netos, bisnetos, tataranetos…
Onde está o controle destes cães? Saúde? Tipicidade? Morfologia? Temperamento? Agora, temos um amontoados de cães, provavelmente atípicos e com algum grau, maior ou menor, de problemas de saúde.
Cuidar para que isso não aconteça é o que eu chamo de proteger a raça. Proprietários que acasalam seus cães não se preocupam em selecionar os lares para seus filhotes – mesmo porque, o proprietário ideal para seus filhotes não procurará por eles… – e não se preocupam em castrar seus filhotes. Será que o proprietário que acasalou sua cadela reassumirá algum filhote, caso o mesmo perca seu lar? Ou será que, no desespero, ele se verá livre do cão com o primeiro que aparecer, porque não aguenta mais aquele  cachorro adulto que reapareceu do limbo, fazendo xixi pela casa toda? Lá se vai mais um aumentar o número de cães de raça abandonados…
Preocupar-se com essas questões é o que eu chamo de responsabilidade social. Proprietários de cães iludem-se com o lado bom do acasalamento de suas cadelas (ou cães) e só  imaginam o buquê de adoráveis filhotes que está por vir. Mas, não se preparam para vivenciar o que está descrito aqui ou aqui. Por essas razões – e acredito que sejam suficientes – não apoio a reprodução dos cães de companhia e não compactuo com pessoas que são adeptas a ela.
Não importa quão linda seja a cadela ou quanto o proprietário esteja disposto a pagar pela cobertura  do cão. A beleza da cadela e o dinheiro do proprietário não comprarão a saúde dos indivíduos que nascerão, não assegurarão a proteção da raça a longo prazo e nunca condizerão com o meu conceito de responsabilidade social. Por isso, se você for o proprietário de um cãozinho e ainda não estiver convencido que reproduzí-lo é uma enorme insensatez, agradeço a gentileza de pedir orientações ao criador de seu cão, caso deseje acasalá-lo.  Por favor não me peçam orientações neste sentido, é totalmente contra os meus princípios a reprodução de cães de companhia. Obrigada. Camilli
P.S.: Valeu, turma do CQC, pelo TOP FIVE desta semana! Eles também não curtiram a Ana Maria Braga difundindo a reprodução doméstica de cães em rede nacional.


Caso você queira enviar um recadinho para a própria Ana Maria Braga, clique aqui.
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CAMILLI CHAMONE

Pós-graduada em Genética e Biologia Molecular. Foi professora universitária federal de Biologia Celular e Genética. Criou buldogues franceses. Foi membro efetivo do Conselho Disciplinar do Kennel Clube de Belo Horizonte. Foi Diretora da Federação Mineira de Cinofilia. É editora do "Seu Buldogue Francês", o maior blog do mundo sobre buldogues franceses, e de todas as mídias sociais que levam esse nome. É palestrante e consultora sobre bem-estar e comportamento canino. Além disso tudo, é perdida e irremediavelmente apaixonada por frenchies.

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